Irão prepara lista de condições para reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, com fim da guerra no Médio Oriente como exigência principal
wallstreetcnEmbora o Irão tenha concordado com Omã em abrir um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, deixou claro que é impossível uma reabertura total e incondicional, a menos que os Estados Unidos cumpram integralmente todas as exigências da lista, incluindo o fim dos conflitos no Líbano, em Gaza e noutros locais.
Segundo a agência noticiosa oficial iraniana IRNA, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, afirmou que o Irão e Omã concordaram em abrir um corredor marítimo temporário através do Estreito de Ormuz, parte em águas iranianas e parte em águas omanitas, com gestão conjunta da entrada e saída de navios pelos dois países.
No entanto, Rezaei sublinhou que se trata apenas de um arranjo "temporário e limitado", e que o futuro estado da navegação no estreito continua a depender do progresso do entendimento com os Estados Unidos.
Rezaei afirmou que só quando os Estados Unidos implementarem as condições apresentadas pelo Irão é que o Estreito de Ormuz poderá ser totalmente reaberto. Disse que o Irão já preparou uma lista de condições para submeter aos Estados Unidos, sendo a principal exigência promover o fim da guerra na região do Médio Oriente, especialmente os conflitos no Líbano e em Gaza.
Segundo a CNBC, as condições apresentadas por Rezaei incluem a retirada de Israel dos territórios libaneses ocupados, o fim da guerra em Gaza e a cessação dos ataques à Síria.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou na sexta-feira que retomar as negociações diplomáticas com os Estados Unidos "não é impossível". Numa plataforma social, disse que a retoma do processo diplomático depende de os Estados Unidos reconhecerem que "a pressão não funcionará", exigindo ao mesmo tempo que Washington construa confiança, comunique de forma respeitosa, reconheça os direitos do Irão e cumpra os compromissos.
No entanto, segundo o The Wall Street Journal, que citou fontes familiarizadas com o assunto na quinta-feira, a administração Trump não tem atualmente intenção de regressar ao quadro de entendimento alcançado com o Irão em junho, preferindo continuar a observar se a pressão económica pode surtir efeito. Na segunda-feira, os Estados Unidos anunciaram a chamada operação "Dia D económico" contra o Irão e ameaçaram os países que negociam com o Irão.
Irão: reabertura total do estreito exige múltiplas condições
Rezaei sublinhou que a questão do Estreito de Ormuz não pode ser dissociada do conflito regional mais amplo. Com uma "profunda desconfiança" entre as partes, os Estados Unidos devem demonstrar sinceridade na implementação dos compromissos relevantes para construir nova confiança.
Ao abordar a situação de toda a região, Rezaei descreveu o Médio Oriente como "uma cadeia interligada", considerando que a deterioração da segurança num país aumenta os custos de investimento noutras áreas e prejudica as perspetivas de desenvolvimento.
Afirmou ainda que as relações entre o Irão e o Líbano são "históricas e profundamente enraizadas", e que o Irão continuará a usar todas as capacidades ao seu alcance para apoiar o Líbano.
Quanto à situação no Líbano, Rezaei disse que Israel já não consegue avançar para Beirute e os seus subúrbios a sul, e que as perdas infligidas pelo Hezbollah libanês a Israel nos últimos três a quatro meses, bem como o impacto da "dissuasão iraniana", limitaram a capacidade de ação de Israel. Afirmou que Beirute e os seus subúrbios a sul são uma "linha vermelha" para o Irão, que está a acompanhar a situação "com extrema seriedade", e acredita que Israel acabará por ser forçado a retirar-se dos territórios libaneses em que entrou.
Rezaei considera que o terreno do Líbano é difícil de controlar e ocupar, pelo que Israel não conseguirá exercer um controlo efetivo sobre o território local nem cercar as forças de resistência. Citou ainda o exemplo de Gaza, onde mesmo com o bloqueio israelita, Israel não conseguiu atingir decisivamente os seus objetivos.
Em relação à Síria, Rezaei considera que o governo sírio não entrará no conflito do Líbano. Salientou que o governo sírio enfrenta múltiplos desafios e que os contínuos ataques israelitas a Damasco e arredores também reduzem a probabilidade de tal ação. Rezaei afirmou que o governo sírio já concluiu que "Israel pisou todos os acordos".
EUA dizem que via marítima está aberta, mas tráfego real continua baixo
Atualmente, existem versões contraditórias sobre o estado da navegação no Estreito de Ormuz, com os EUA e o Irão a defenderem posições opostas.
No início desta semana, o Irão e Omã discutiram o estabelecimento de uma rota conjunta temporária e a remoção de minas do estreito. O comandante do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, divulgou na quinta-feira à noite um vídeo afirmando que as forças norte-americanas ajudaram a remover minas do estreito.
Cooper disse que, nos últimos meses, as forças norte-americanas ajudaram cerca de 1500 navios mercantes, transportando cerca de 750 milhões de barris de petróleo bruto, a atravessar o Estreito de Ormuz, e afirmou que "a via marítima internacional está agora aberta e o ímpeto está a aumentar".
No entanto, os dados de navegação continuam a mostrar que o tráfego real está muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.
A CNBC, citando os dados mais recentes da Kpler, refere que na terça-feira apenas 5 navios atravessaram o Estreito de Ormuz, em comparação com cerca de 130 navios por dia antes do início da guerra nesta via marítima crucial.
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