EUA alertam antes do G20: Bessent pode avisar países a cooperar com sanções ao Irão ou perder acesso ao dólar
wallstreetcnFuncionários do Tesouro dos EUA revelaram que Bessent irá alertar na próxima reunião de ministros das Finanças do G20 que os países participantes devem cooperar com as sanções ao Irão, caso contrário serão excluídos do sistema do dólar ou enfrentarão sanções secundárias. Além disso, a reunião focará o crescimento económico global, a resiliência das cadeias de abastecimento e a redução dos desequilíbrios comerciais, tendo os responsáveis norte-americanos também respondido à questão dos elevados rendimentos das obrigações do Tesouro.
Os Estados Unidos estão a estender a pressão económica sobre o Irão a fóruns multilaterais, usando o acesso ao sistema do dólar como alavanca junto dos aliados.
Segundo a Reuters, no dia 28, um alto funcionário do Tesouro dos EUA afirmou na quinta-feira que o secretário do Tesouro, Bessent, enviará um "sinal forte" na próxima reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais do G20: os países que pretendam continuar a operar no sistema financeiro ocidental baseado no dólar devem cooperar com as sanções dos EUA ao Irão. O responsável indicou que este tema deverá constar das reuniões bilaterais de Bessent com cada um dos seus homólogos do G20.
Anteriormente, segundo a Xinhua, o secretário do Tesouro dos EUA, Bessent, anunciou em conferência de imprensa no dia 24 sanções económicas contra o Irão, intensificando a pressão. De acordo com a CCTV, Bessent afirmou que qualquer entidade que lave dinheiro para o Irão será excluída do sistema do dólar. Acrescentou que os EUA irão alargar o âmbito das sanções secundárias a países com relações comerciais com o Irão e instou os mesmos a fazerem uma escolha.
O Irão respondeu de imediato com firmeza: o presidente do parlamento iraniano, Ghalibaf, afirmou que os parceiros comerciais do Irão "não levarão a sério" as declarações de sanções dos EUA, enquanto o conselheiro do líder supremo, Mokhber, declarou que a resposta do Irão será mais determinada do que nunca.
Aviso de sanções na agenda bilateral do G20
A reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais do G20 realizar-se-á de 31 de agosto a 1 de setembro em Asheville, Carolina do Norte, EUA, sob a presidência de Bessent. Será a primeira grande aparição dos EUA na liderança da agenda multilateral, depois de terem evitado o processo do G20 liderado pela África do Sul no ano passado.
O alto funcionário do Tesouro referiu que as sanções ao Irão são um "tema-chave" da reunião e que Bessent o abordará proativamente em todas as reuniões bilaterais, para garantir que todos os membros do G20 estejam alinhados na implementação. Bessent já tinha afirmado que qualquer entidade que lave dinheiro para o Irão será excluída do sistema do dólar, que os EUA irão alargar as sanções secundárias a entidades e países com relações comerciais com o Irão, e que Trump está em contacto com líderes de outros países para pedir apoio à ação económica dos EUA contra o Irão.
Agenda do G20 focada no crescimento e desequilíbrios globais
Além das sanções ao Irão, segundo a Reuters, o funcionário do Tesouro afirmou que a administração Trump espera que os ministros das Finanças do G20 cheguem a consenso sobre a promoção do crescimento económico, a redução dos desequilíbrios globais e a resposta aos desafios da dívida soberana.
Quanto aos desequilíbrios comerciais, o responsável disse que as discussões do G20 visarão assegurar que as economias "concorram em produtividade, inovação e investimento, em vez de dependerem de políticas de exportação de excesso de capacidade para os mercados globais". Na entrevista, referiu ainda que, com o endurecimento das barreiras comerciais dos EUA, outras economias do G20 têm sofrido "grande pressão de dumping", sem nomear países de origem.
No que toca às cadeias de abastecimento, os EUA irão promover no G20 a construção de cadeias de abastecimento resilientes para recursos críticos como a energia, e apoiar a inovação do setor privado para impulsionar o crescimento da produtividade. A reunião contará ainda com líderes empresariais para debater barreiras ao investimento e reformas regulatórias.
Elevados rendimentos das obrigações como potencial ponto de pressão
Questionado sobre como Bessent responderá às preocupações de outros ministros das Finanças do G20 quanto ao aumento da dívida dos EUA e à subida dos rendimentos das obrigações, o funcionário do Tesouro afirmou que os rendimentos, que se mantêm elevados desde o final de fevereiro deste ano, quando os EUA e Israel atacaram o Irão, irão recuar gradualmente à medida que a inflação arrefecer.
O responsável sublinhou ainda que o Tesouro está empenhado em reduzir os rendimentos de longo prazo, tendo Bessent já ampliado a escala de recompra de obrigações do Tesouro dos EUA de 10 a 30 anos como prova disso.
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