As ações da Cerebras despencaram! A receita com hardware caiu inesperadamente, enfrentando flutuações na demanda em seu caminho para "desafiar a Nvidia".
chaincatcherAutor: Yang Chen, Wall Street News
A queda inesperada nas vendas de hardware da Cerebras Systems expôs a instabilidade das vendas de seus chips, mas o forte crescimento em seu negócio de computação em nuvem aliviou, em certa medida, as preocupações do mercado.
A Cerebras divulgou seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 na quarta-feira, mostrando um aumento de 74% na receita GAAP em relação ao ano anterior, atingindo US$ 180,1 milhões. A receita principal alcançou US$ 210 milhões, um aumento de 103% em relação ao ano anterior.
A receita com hardware no segundo trimestre foi de US$ 54,1 milhões, uma queda de 23% em relação ao ano anterior; enquanto a receita com computação em nuvem e outros serviços atingiu US$ 126 milhões, um aumento de 281% em relação ao ano anterior.

Esse resultado também demonstra que o modelo de negócios da Cerebras está mudando: a computação em nuvem ultrapassou o hardware e se tornou a maior fonte de receita da empresa. O CEO da Cerebras, Andrew Feldman, afirmou que o crescimento do negócio de hardware será "volátil", o que é uma característica desse segmento.
As ações da Cerebras caíram até 17% no pregão estendido, após subirem 11,6% na quarta-feira.
A receita com hardware caiu inesperadamente, enquanto os serviços em nuvem se tornaram um ponto positivo.
Do ponto de vista da estrutura de negócios, a mudança mais notável para a Cerebras no segundo trimestre foi a diferença entre seu negócio de hardware e seu negócio de nuvem.
O relatório financeiro mostra que a receita com hardware no segundo trimestre caiu para US$ 54,1 milhões, ante US$ 70,3 milhões no mesmo período do ano passado, uma queda de 23%. Enquanto isso, a receita com computação em nuvem e outros serviços saltou de US$ 33 milhões para US$ 126 milhões, um aumento de 281%. Com base na receita do negócio principal, a receita com computação em nuvem e outros serviços foi de US$ 127,7 milhões, um aumento de 287% em relação ao ano anterior.
Isso significa que a Cerebras não é mais uma empresa de chips que depende exclusivamente da venda de sistemas de computação de IA para gerar receita. À medida que a demanda por computação de inferência de IA cresce por parte de clientes como a OpenAI, a empresa está gerando receita cada vez mais por meio da oferta de serviços de computação em nuvem.
O CEO da Cerebras, Andrew Feldman, afirmou que a empresa continuará a seguir seu modelo de "dupla via" de hardware e serviços de data center, acrescentando: "Queremos atender às necessidades de nossos clientes nas áreas onde eles estão crescendo mais rapidamente."
No entanto, a queda nas vendas de hardware continua sendo uma preocupação central para o mercado. A Cerebras posicionou anteriormente seu chip em nível de wafer (WSE) como um concorrente das GPUs da NVIDIA, mas a queda nas vendas de hardware indica que a empresa ainda não estabeleceu uma trajetória de crescimento estável e linear.
Feldman comentou que a própria indústria de hardware passará por flutuações significativas.
A previsão de lucros superou as expectativas.
Apesar da queda em seu negócio de hardware, espera-se que o desempenho futuro da Cerebras supere em muito as expectativas do mercado.
A empresa prevê que a receita principal do terceiro trimestre ficará entre US$ 214 milhões e US$ 216 milhões, com um ponto médio de US$ 215 milhões, superando a expectativa média do mercado de US$ 212 milhões; a margem bruta principal é estimada entre 38% e 40%, também superior à expectativa do mercado de cerca de 36%.
A empresa também elevou sua previsão de lucros para o ano todo. A Cerebras espera que a receita principal atinja entre US$ 880 milhões e US$ 890 milhões em 2026, acima da previsão anterior de US$ 855 milhões a US$ 865 milhões.
A margem bruta principal anual deverá ficar entre 41% e 43%, superior à estimativa anterior de 38% a 41%, enquanto os analistas previam que a margem bruta ajustada anual da Cerebras seria de apenas 35,89%.
Em outras palavras, em termos de expectativas de desempenho futuro, os dados da Cerebras são significativamente melhores do que as expectativas do mercado; no entanto, dada a atual estrutura de negócios, o declínio inesperado na receita de hardware gerou preocupações entre os investidores.
O relatório financeiro da empresa mostra que a receita principal do segundo trimestre foi de US$ 209,9 milhões, um aumento de 103% em relação ao ano anterior; a margem bruta principal atingiu 40,6%, um aumento de aproximadamente 9,4 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado. O prejuízo líquido principal diminuiu significativamente para US$ 6,9 milhões, ante US$ 40,5 milhões no mesmo período do ano passado.
Por que o preço das ações ainda caiu drasticamente após o fechamento do mercado?
A reação do mercado a este relatório financeiro indica que os investidores não estão preocupados apenas com a possibilidade de a Cerebras superar as expectativas de receita para o próximo trimestre, mas também com a reavaliação da qualidade e sustentabilidade do crescimento da empresa.
Desde seu IPO, o preço das ações da Cerebras subiu significativamente. Anteriormente, o mercado acreditava amplamente que a Cerebras, com sua arquitetura de chip em nível de wafer exclusiva, estava prestes a conquistar participação de mercado da NVIDIA no setor de inferência de IA. Portanto, mesmo com o rápido crescimento de seus negócios em nuvem e uma revisão para cima de sua previsão de lucros para o ano todo, uma queda de 23% na receita de hardware em relação ao ano anterior ainda desencadeou a realização de lucros.
Isso sugere que a avaliação de mercado da Cerebras já inclui expectativas de crescimento bastante elevadas, e simplesmente "superar as expectativas" na previsão de resultados pode não ser suficiente para compensar as preocupações com o declínio no negócio principal de hardware.
Vale ressaltar que a margem bruta de hardware da empresa, segundo os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP), no segundo trimestre foi de apenas 1,8%, enquanto a margem bruta do hardware básico principal atingiu 38,8%.
Os relatórios financeiros mostram que a Cerebras ajustou as métricas principais para warrants de clientes, remuneração em ações e taxas de data center, resultando em uma diferença significativa entre as métricas GAAP e as métricas principais.
As necessidades de inferência de IA se tornaram um fator central no crescimento da Cerebras.
Atualmente, a Cerebras está apostando no mercado de raciocínio por inteligência artificial.
Em comparação com o treinamento de modelos complexos, a inferência ocorre após um usuário fazer uma solicitação a aplicativos de IA, como chatbots. À medida que os aplicativos de IA passam do treinamento de modelos para a implantação comercial em larga escala, a demanda por poder computacional de inferência de baixa latência e alto desempenho está crescendo rapidamente.
O principal produto da Cerebras, o WSE, utiliza uma arquitetura em nível de wafer, integrando uma grande quantidade de recursos computacionais em um único chip gigante. A empresa acredita que essa arquitetura pode reduzir a transferência de dados entre inúmeros chips em sistemas de GPU tradicionais e melhorar a velocidade de inferência de IA.
A empresa afirmou que seu sistema atualmente suporta o GPT-5.6 Sol da OpenAI a uma taxa de 750 tokens por segundo e está colaborando com a AMD para desenvolver uma solução de inferência independente, com previsão de entrada em produção no quarto trimestre de 2026. Simultaneamente, a empresa planeja integrar a tecnologia ao Amazon Bedrock da AWS no primeiro trimestre de 2027.
A Cerebras também afirmou ter assinado novos contratos de capacidade de computação em nuvem com clientes, incluindo as empresas de programação de IA Cognition e Lovable, e já ter prestado serviços a clientes como Block, Figma, AlphaSense, GSK e CrowdStrike.
Não utilizar o HBM torna-se uma vantagem em termos de custos e cadeia de suprimentos.
Em meio ao impacto generalizado da escassez de memória de alta largura de banda (HBM) e do aumento de preços na indústria de chips de inteligência artificial, a Cerebras também está tentando aproveitar sua arquitetura para obter uma vantagem de custo.
A empresa afirmou que sua arquitetura em nível de wafer não depende de HBM, nem utiliza tecnologias avançadas de encapsulamento, como CoWoS ou processos de 3nm, que atualmente são componentes-chave da cadeia de suprimentos de chips de IA.
Feldman destacou que o aumento acentuado nos preços dos chips de IA da Nvidia está relacionado ao aumento dos custos da HBM, enquanto a Cerebras, que não usa HBM, pode obter algumas vantagens em um ambiente de preços crescentes de componentes.
Contudo, resta saber se essa vantagem poderá, em última análise, se traduzir em um crescimento sustentado das vendas de hardware. A recente queda anual na receita de hardware ilustra precisamente que a Cerebras ainda enfrenta desafios para converter suas vantagens tecnológicas em receita comercial estável.
Com uma carteira de encomendas remanescente no valor de US$ 25,4 bilhões, a chave para a próxima fase reside na capacidade de entrega.
Atualmente, a maior confiança da Cerebras deriva de sua enorme carteira de encomendas e de suas reservas de capital.
No final de junho, a empresa tinha US$ 25,4 bilhões em obrigações remanescentes, o que indica um grande volume de contratos assinados, mas ainda não reconhecidos como receita. A empresa afirmou que planeja mais que triplicar sua receita até 2027.
Entretanto, a empresa arrecadou aproximadamente US$ 6,4 bilhões por meio de sua oferta pública inicial este ano e, no final de junho, possuía aproximadamente US$ 8,6 bilhões em caixa, equivalentes de caixa, caixa restrito e investimentos de curto prazo, além de US$ 850 milhões em capacidade de financiamento por dívida.
Para atender a esses pedidos, a empresa está expandindo rapidamente sua capacidade de produção.
A Cerebras afirmou que sua capacidade de produção aumentará mais de dez vezes até 2026 e já adicionou linhas de produção nas fábricas Flex, Sanmina e Rocket EMS. Até o final de junho deste ano, a empresa havia assinado contratos, estava construindo ou já havia colocado em operação mais de 600 MW de capacidade de data center, com planos de entrega até o final de 2027.
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